O BOI
São Miguel Arcanjo já foi um celeiro de craques no passado, tempo em que craque era só jogador de futebol mesmo, na época áurea do Esporte Clube São Miguel, quando o guerreiro alvi-celeste conquistou com honra e galardia sua posição na Terceira Divisão, um feito glorioso e inesquecível para a classe esportista.
Desse feito heróico, destacou-se entre os demais Antonio Bonafonte, pessoa querida ao qual o povo carinhosamente deu-lhe o chamamento afetivo de “Boi”, não pela estatura avantajada e pela força, mas pela simplicidade peculiar que o tornava um ser humano de primeira grandesa, com índole pacífica mesmo nas complicadas partidas de futebol onde os ânimos acirrados e discussões dentro de campo poderiam levar às atitudes violentas. Dentro de campo, sua palavra e sua estratégia eram decisivas.
Antonio Bonafotnte, o Boi, veio do Derac - Departamento de Estrada de Rodagem Atlético Clube de Itapetininga como importante pivô na decisão da terceira divisão, suando e honrando a camisa do time sãomiguelense. Antonio Bonafonte com sua simpatia foi criando raizes profundas na cidade onde conquistou grandes amizades, além de incontáveis admiradores do seu futebol arte, modalidade que despertou nos menores o desejo de ser um craque como ele. Ao integrar-se por inteiro na terra que o acolheu, “Boi” acabou se tornando um cidadão saõmiguelense de verdade. Esse amor pela cidade foi multiplicando quando se desposou de Suely Tavares, moça de tradicional e com quem constituiu sua família.
A vida desse jovem esportista que nos deixou prematuramente daria um livro de memórias, ligado ao esporte da cidade. Não seria fácil enumerar todos os seus feitos ao longo de sua caminhada. São Miguel Arcanjo lhe deve muito. Provavelmente não tenha aparecido na cidade um atleta semelhante nos últimos cinquenta anos. Seus feitos não podem ser esquecidos e nem deixados num segundo plano por nós que o conhecemos, e por isso, temos a obrigação de passar às gerações vindouras seu feitos. Lembrando ainda da sua dedicação e paciência ao ensinar os garotos da cidade com desejos de se tornar um atleta feito ele.
Além da sua vital dedicação ao futebol, Boi, ou melhor, Antonio Bonafote costumava a participar dos 180 quilometros de caminhada à Iguape, como um dos membros de importante grupo dedicado à essa longa caminhada todos os anos.
São Miguel Arcanjo deve toda sua história futebolística ao grande (nesse caso literalmente no sentido exato do termo) Antonio Bonafonte, que entre outras coisas, com sua escolinha de futebol, conseguiu tirar muitos garotos da ociosidade, ensinando-lhes essa arte que é a paixão número um dos brasileiros: o futebol. Além de conquistar troféus e medalhas ao longo de sua carreira, Antonio Bonafonte possuia igualmente um time de amigos e admiradores de primeira divisão, pessoas que além de o aplaudir no gramado, devotava grande estima pelo ser humano. Franco, humano e verdadeiro, Antonio Bonafonte amou São Miguel Arcanjo desde o primeiro instante em que colocou os pés no gramado do Estádio Municipal Nestor Fogaça nos distantes anos sessenta, num tempo em que toda a sociedade se reunia nas arquibancadas para assitir um futebol de categoria e de primeira grandeza.
Hoje nós, seus admiradores fazemos uma pausa em nossos dias agitados destes tempos devoradores de valores e sentimentos humanos, para, num instante de gratidão, além de relembrar os feitos dessa grande personalidade, e fazer um instante de silêncio respeitoso por quem fez tanto para muitos, sem que isso tudo lhe subisse à cabeça.